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Competição da Honda BR

Wilson Kenji Yasuda, o homem forte da empresa


25/08/2009

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Ao centro Wilson Kenji Yasuda o homem do esporte na Honda, que celebra assinatura do contrato do Mundial de MX no Brasil
Foto: Divulgação/Honda


Se dentro das pistas o Motocross Brasileiro teve grandes nomes nos últimos dezoito anos, fora delas, ele talvez seja o único que passou todo este tempo se destacando na luta pelo crescimento do esporte: estamos falando de Wilson Kenji Yasuda que está a 18 anos no departamento de competição da Honda. Ao todo, são 37 anos trabalhando na empresa que lidera o mercado motociclístico nacional.

Desde que assumiu o Departamento de Competição, ele investe pesado nas competições a motor no país, seja patrocinando eventos ou mantendo o Team Honda, o maior do Brasil. Independente de questões políticas, a Honda sempre apoiou a CBM, mostrando que a parceria entre a empresa e a entidade máxima do esporte é sólida e duradoura. São treze anos apoiando ininterruptamente os tradicionais campeonatos da entidade, tendo ainda como parceiros a Mobil e Pirelli.

Em 2009, a empresa adotou um foco 100% voltado para o Off Road, mas até 2008, antes da crise, a empresa incentivava também as competições sob o asfalto. Além de ser patrocinadora master do Brasileiro de Motocross, Brasileiro de Arenacross, Brasileiro de Supercross, a empresa mantém a maior equipe de Motocross do país e apóia os pilotos Zé Hélio e Jorge Balbi, além do Rally dos Sertões.

Yasuda foi o maior responsável por viabilizar a ida do Brasil nos últimos três anos do Motocross das Nações e este ano, foi um dos principais responsáveis por trazer de volta o Mundial de Motocross ao país. Respondendo pela Honda durante todo este período e presente em todos estes eventos in loco, é inegável a contribuição dele ao esporte. É certo que ele tem muita história para contar. Por isso, as vésperas do Honda GP Brasil, batemos um papo com Yasuda:

1 – Estamos a pouco mais de vinte dias para o retorno do Mundial de Motocross ao Brasil. Por que a Honda decidiu investir no retorno da competição ao país e qual a importância disso para o esporte nacional?

Desde que eu assumi a gerência do departamento de competições da Honda, a empresa nunca ficou fora de nenhuma grande competição que aconteceu no país. Não seria justamente agora que iríamos ficar de fora. Trabalhamos muito junto à diretoria da Honda, defendemos a importância do evento e apesar dos valores altos, a empresa se comprometeu em viabilizar o projeto.

Investir no crescimento dos esportes de competição faz parte da filosofia da Honda. Fazer parte da equipe que está trazendo o Mundial para o Brasil é um orgulho e um passo importante no crescimento do esporte no país. Ajudará muito a todos os pilotos profissionais brasileiros. Soube estes dias que a procura por ingressos está muito boa e isto prova que o Brasil é, também, apaixonado por motos.

2 – Nos últimos anos, o Team Honda tem dominado o Campeonato Brasileiro de Motocross. A que você atribui todo este sucesso da equipe?

A Honda está a 13 anos de forma contínua fazendo um trabalho sério de crescimento e fortalecimento do esporte no país. Com todo este tempo, claro que aprendemos muitas coisas. Hoje, sabemos quem são os grandes pilotos, as grandes promessas e sabemos que todos os pilotos querem correr no Team Honda.

Não porque é a equipe que melhor remunera, mas sim porque, no Team Honda, o piloto tem chance de estar na equipe por muitos e muitos anos. Neste período já vi muitas outras empresas que entraram com muito dinheiro, contrataram grandes pilotos e, depois de dois anos, abandonam o campeonato.

Hoje a gente não se assusta com isso. Sabemos o valor do mercado e não nos assustamos com equipes que chegam movidas pelo entusiasmo e até inflacionam o esporte. O sucesso do Team Honda não está no orçamento e sim em 13 anos de expertise, conhecimento do esporte e experiência em fabricar campeões. Além do melhor equipamento, é claro.

3 – A temporada 2009 do Campeonato ficou marcada pela polêmica dos pneus, onde alguns pilotos perderam os pontos por utilizarem pneus não homologados. O que o senhor achou disso?

Esse assunto gostaria realmente de esclarecer, pois ouvi muitas pessoas dizendo besteira sem saber os fatos. A Honda nunca foi responsável pela punição dos pilotos que usaram os pneus Rinaldi. Apesar de ser a patrocinadora máxima do campeonato, a Honda não tem nenhuma influência na criação das regras do campeonato, que é de inteira responsabilidade da CBM.

Este ano, existia uma regra em que os pilotos tinham que correr com os pneus Pirelli. A Rinaldi não concordou e alguns de seus pilotos entraram com uma liminar na justiça do Rio. Antes mesmo de buscarem o entendimento na justiça desportiva, eles recorreram à justiça comum. A ação foi analisada por um Juiz que encaminhou ao desembargador e este anulou a liminar, ordenando a perda dos pontos daqueles que não correram com o pneu homologado. Não quero entrar no mérito se a regra é justa ou não, até porque, como eu disse, a Honda não tem nenhuma ingerência no regulamento do campeonato. Talvez na justiça desportiva a pena poderia ser transformada em multa. Enfim, se a regra existia, deveria ser cumprida. A piloto Mariana Balbi tem o patrocínio pessoal da Rinaldi, mas correu com os pneus Pirelli e não teve nenhum problema.

Enquanto não julga o mérito da questão, a Justiça Comum Brasileira decidiu que a regra do campeonato deve ser cumprida e os pilotos que a descumpriram perderam os pontos. Qualquer pessoa esclarecida sabe que a Honda não tem nenhum poder sobre a Justiça Brasileira. Já conversei com o Wellington Garcia e espero que sejamos campeões na pista, independente das questões judiciais. Se isto não acontecer, aguardaremos a sentença da Justiça Comum Brasileira sobre o direito de correr ou não com outra marca de pneus.

4 – Já que começamos com as polêmicas, outra pergunta daquelas difíceis (risos). Muitas críticos também questionam a seleção dos pilotos que representam o país no Motocross das Nações. Como ela é feita?

O Brasil ficou muitos anos sem ir para o Motocross das Nações. Enviar uma equipe para o Nações é muito caro e, desde 2007, a Honda conseguiu viabilizar a ida de uma equipe para participar da competição com uma estrutura competitiva.

Na minha opinião, hoje, o Brasil tem apenas um piloto diferenciado, que é o Jorge Balbi. Depois dele, vêm o Leandro Silva, o Wellington Garcia e o João “Marronzinho” Paulino, que estão no mesmo patamar. As pessoas acham que nós não gostamos do “Marronzinho”, mas estão enganadas, poucos sabem que antes dele fechar com a Tork, já tínhamos procurado por ele e manifestado o interesse em tê-lo conosco, mas a opção foi dele.

Como toda grande empresa, quando investimos em um projeto buscamos retorno e, quando investimos para enviar uma equipe para o Motocross das Nações, queremos um retorno para a marca e uma maior exposição dos nossos pilotos. O Brasil ficou muitos anos sem ir ao Nações e só voltou por causa da Honda. A decisão da escolha dos pilotos não é imposta por nós.

Quem faz a seleção é a CBM, mas claro que como chefe da equipe, fazemos a sugestão dos nomes. Pela experiência internacional, conjunto e entrosamento, achamos que o time caseiro é a melhor solução e os resultados vêm mostrando isso. O mais importante é o país estar representado na competição e, neste caso, a minha opinião é de que não há nenhuma perda técnica com a opção por Balbi, Leandro e Wellington. As pessoas que criticam deveriam refletir e pensar em como é importante para o país participar do Nações e aplaudir quem está tornando isso possível.

5 – Na última etapa do Brasileiro de Motocross, realizada em Cachoeiro do Itapemerim-ES, terra natal do rei Roberto Carlos, o locutor da prova colocou uma música dele na largada da categoria Junior em sua homenagem?

Na verdade comentei com o Valério Netto (locutor) que eu gostava do Rei e ele querendo me homenagear colocou a música antes da largada. Eu realmente gosto das músicas dele, mas acho que com motocross ainda combina é com o bom e velho rock n’ roll.

6 – Chega de polêmica. Durante todo este tempo que você acompanha o Motocross, com certeza já deve ter acompanhado uma série de histórias interessantes e engraçadas. Conte uma pra gente.

Um fato marcante foi o profissionalismo do piloto Jean Ramos no Nações de 2008. Imagine só, ele viajou como titular da equipe e chegando lá, após o treino, percebemos que o Wellington, que tinha ido como reserva, estava mais rápido e então decidimos trocar. Ele aceitou muito bem. Entendeu perfeitamente e numa boa o espírito de equipe prevaleceu. O Wellington não tinha uniforme personalizado e nós tivemos que improvisar. Recortamos daqui, colamos aqui e “fabricamos” o seu uniforme. O Brasil obteve o melhor resultado da historia (14º lugar).

7 – Ano passado, o Balbi voltou dos EUA para fazer o Brasileiro de Supercross e se integrou ao Team Honda. Este ano, ele está na sua equipe própria, a 2B Racing e estará de volta ao país em breve. Você já tem algum acordo com ele para que ele faça parte da equipe mais uma vez?

Ainda não temos nada definido, mas estamos sempre em contato com o Balbi. Para o Nações ele foi convidado e já aceitou. Para correr as outras competições pela Honda neste semestre ainda dependemos de ajustes e articulações orçamentárias. Esperamos que tudo dê certo.

8 – Durante todo este tempo em que você acompanha o Motocross no Brasil, o que mais mudou? Quanto o Brasil evoluiu em termos internacionais?

A evolução ocorreu de forma gradativa e constante. Foram criadas novas categorias como a MX 3 para que os mais experientes pudessem participar e recentemente a categoria CRF 230 que serve como porta de entrada ao mundo do Motocross. Aumentamos durante os anos a premiação aos pilotos e em 2009 a premiação vai do 1º colocado a 25º.

Quanto a evolução internacional, temos o Balbi e Lucas que participam do AMA e a equipe brasileira no Motocross das Nações, sem contar em 2009 com a Etapa do Mundial, aliás com direito de realização por 5 anos. Isto pode credenciar o Brasil a sediar novamente o Motocross das Nações.

9 – Durante todo este tempo que você acompanha Motocross brasileiro e internacional, você patrocinou ou apoiou os melhores pilotos da modalidade. Pra você, quem é ou quem são ou foram os melhores pilotos que você já viu nas pistas?

Tivemos vários pilotos no Team Honda. Rogério Nogueira, Cristiano Lopes, Nuno Narezzi, Ricardo Raspa, Pedro Lopes, Paulo Stedile, Rafael Ramos, Rafael Zenni, Rosevelt Assunção, Jorge Balbi, Cássio Garcia, Milton Becker, Pipo Castro, Rodrigo Selhorst, Gabril Gentil, Anderson Cidade, Eduardo Saçaki e até João “Marronzinho”, além de muitos outros. Muitos deles foram campeões em suas categorias. Todos grandes pilotos.

10 – Qual a sua expectativa para o time do Brasil no Motocross das Nações deste ano?

No Motocross das Nações não existe um resultado individual e sim um resultado combinado de equipe. A nossa melhor colocação foi em 2008 onde obtivemos o 14º lugar. Este ano trabalharemos para chegar entre os 12 primeiros.

11 – Pra encerrar, qual a dica do Sr. Yasuda para os pilotos que estão começando no esporte? Vale a pena?

A dica seria começar com uma moto adequada à sua experiência. Participar de provas regionais e gradativamente buscar eventos melhores. O importante é compartilhar seus sonhos e suas vitórias. Nunca se consegue atingir sozinho seus objetivos.

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